domingo, 21 de março de 2010

Last Shine




Show me all that you see
From all the glitter to the green tree
You´ve never said me that I´m gray
Of all the colors that you could say

When the sky fall far along
And all the tones be turned to white
For you, the day will seem too strong
For me it will be darker than the night

´Cause when the visible becomes blind
Everything will decrease in my mind
It´s not a question of making it fair
But neither music will can do repair

I won´t be able to see any face
Not even my own and very reflect
And in the middle of such a disgrace
You´ll be with all the things that I protect

So, please, now show me all that you´ve got
Before I turn into a black spot
If there´s a way you will have to find
But do it fast, ´cause I am colorblind.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sarau.



E é folclore que se perde
Que se forma, que se queima
Fantasia, pura, teima
Destes bailes mais vaidosa.

Ah, que pranto que se ergue
Que loucura, que façanha
Gotas muitas, dor tamanha
Das roseiras mais frondosa.

Se é só lenda cor-de-rosa
De grinalda mais formosa
Em apegos carinhosa
Tece verso, canta prosa.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Três vezes ao dia.



Todo santo dia sinto sua falta,
Como se sentir falta fosse mais falta do que se fazer.
E conforme os dias passam, sinto falta do que sempre falta
E vejo que o seu rosto é o que me falta no amanhecer.

Seu rosto é o que me faz silêncio, é o que me faz saudoso no entristecer
Seu riso no meu pensamento, seu dourado intenso,
Seus olhos são de tudo um pouco, onde atormento o meu sentimento ao adormecer.

Toda santa tarde sinto sua falta,
E em cada laço falta o que você laçava por me conhecer.
E sempre que a tarde se arrasta, cada vez sua falta engrandece a falta
Que entrego aos outros, sem a compaixão que só me falta ter.

Sua voz é o que me faz confuso, é o que me faz pensar que já não posso ser
Seu timbre é o que me faz agudo, seu carimbo mudo
Seu corpo é meu mar de rosas, onde teço a prosa que me diminui ao te engrandecer.

Toda santa noite sinto sua falta,
E em cada estrela que no céu me falta eu procuro a falta de poder perder
Consoante a lua se afasta, e a sua falta só me traz mais falta
Eu me entrego em falta, pois me falta força para proceder.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Coalescência





Sob a chuva os meus pés enxergam poças,
Que refletem o seu rosto desfocado por chuvisco...
Como louco, eu procuro as imagens de outras moças
Mas não há nenhuma lá, e o que a chuva desenha num rabisco
Se projeta em cada gota, simples gota
Que se prende em meus olhos, preenchendo o espaço em falta
Escorrendo lentamente, carregando o seu rosto na ribalta.

sábado, 30 de janeiro de 2010

A tua Lua



Ah, menina, hoje eu sinto que somos distantes
No mesmo universo, mas com o mesmo universo de gente,
E a pedra de gelo que esfria teu rosto, deixando um rastro no canto da boca
Uma gota que escorre e decai sobre mim...
Hoje eu senti o seu gosto no meu travesseiro
Seu cheiro na roupa, e o seu corpo no vento da noite
E o meu gesto de puro pesar, desespero
Podendo acordar por inteiro e te ver muito longe a mim...
Ah, menina, hoje eu sinto que somos distantes
De dois universos, mas seu rosto ganhou minha mente.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Execrável




Quem tem medo do escuro já pressente...
É aquela sensação de corpo que raspa corpo, de dente que trinca dente
O medo de se achar sozinho numa noite escura num lugar aberto
Às orelhas aguçadas ao menor barulho incerto.
E tudo se cobre com frio, gelo se paga com gelo
E no momento em que o gelo toca o pêlo, não há apelo que faça derretê-lo
Só restam o frio e o medo, sem meio e enredo, em um longo pesadelo.
... É aquele gosto de ferro que arranha ferro, de dente que morde dente
O sangue que escorre a fio diante da rua, em frente ao corpo nu e morto
E a caveira vermelha que se lança, dura, como mariposa.
Deus... Cada coisa me assusta...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Amantes sobrepostos.



O tempo e a distância são amantes no momento
Em que contornam o espaço em relevância do que se diz sentimento.
São dez passos pela noite escura, e talvez
A distância lhe cause paúra, que por vez
Entorpece o poema em rasura, pois distância, apesar de se medir
Apesar de ser real, a distância é abstrata, é capaz de se sentir.
São dez horas pelo mundo afora, e assim
Tempo passa, mas não vai embora, e por fim
O futuro chega e se torna agora, pois o tempo, apesar de mensurável
Apesar de ser real, e de ser quase palpável, é capaz de destruir.
E a tormenta só se segue caso não haja esperança,
Mas se o tempo e a distância se colocam em plena dança
Sobrepondo-se um no outro, em um simples movimento
A tormenta desses ambos engrandece um sentimento
Um talvez tão poderoso que supere espaço e tempo...
O tempo e a distância são amantes no momento
Em que fazem dois espaços se amarem em pleno tempo.