terça-feira, 18 de maio de 2010

Impacto




A respiração aumenta, a turvidez toma o espaço
O seu coração lateja, seus dentes rangem pelo estardalhaço
A mente se perde e o sangue pulsa, causando espasmo
Não se pensa em nada, a mente entra em marasmo
Os olhos se abrem, os olhos se fecham,
O alvo se avista, os punhos se cerram
O instinto se toma, a razão se abandona
O corpo se ajusta o grito vem à tona
No momento em que o tempo pára e não se sente dor
Em que a raiva vara todo e qualquer tipo de amor.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A quarta lei de Newton.




O desenvolver da palavra é como melodia que se espalha
Como toque bruto do dedo sobre tecla ou corda
Como um sopro forte ou uma batida
O criar da rima sem um ponto de partida
Uma enchente de palavra que sobre a folha transborda
Um tremer de tímpanos em cortes de navalha.

A propagação do som é mágica de ar
Descritiva por si só, e individualmente,
Mas palpável a tal ponto de conversas permitir
Conversar sobre uma música, sobre o que faz sentir
Uma árvore sonora a qual brota da semente
Um baque simultâneo entre o peito e o lugar.

O fechar de olhos é um abraço de união
O que atrela o que se escuta ao que treme um peito inerte
Um subjetivo escuro pelo qual o ar se inala
Num momento ínfimo em que o coração se abala
E a alma se renova, pois de tudo se converte
Um assimilar seguro da grandeza de tensão.

domingo, 2 de maio de 2010

Quatro cordas



Quatro cordas à mão, a mente aberta
Para o rio que corre entre as pedras do sonho
Se faz frio lá fora, não há porque deixar minha cama
E se encontro o seu coração na rua escura
É porque talvez eu não tenha aprendido nada.
Quatro cordas sem perdão, à mão deserta
Pelos rios que corro sempre quando me envergonho
Se lhe escuto ao longe não percebo que você me chama
E se não ouvi-la ainda me cause paúra
É que à minha vida você ainda está fadada.
Quatro cordas pela solidão, porque na certa
É o meu destino, mesmo se me contraponho
Se pareço triste, é porque você me acompanha
E se a culpa é sua, logo minha mente jura
Que por quatro cordas você será sempre amada.

domingo, 18 de abril de 2010

Óleo




Imagine o sol do meio dia...
Numa rua limpa, morna e vazia
Imagine agora as casas, em um clima de amanhecer
Os jardins com grama curta, as camas ainda por fazer
Mas concentre-se no que há lá fora
O asfalto fervilhando sob a luz, e agora
Visualize flores de ipês
Amarelas, pelas ruas e talvez
Até mesmo na calçada, refletindo a luz dourada
Que sol lança por detrás da nuvem espalhada.
Imagine o toque áspero do frio
Um pouco seco, causando calafrio.
Tal intento é utopia, quase beira a moldura
É um instante congelado sob os traços da pintura.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Homonimando








Fazer o quê?
Se a foto é um esboço do que passa na cabeça desse moço no instante em que o tempo parou
Fazer o que,
Se a loucura não dá trégua, se o cavalo monta a égua quando todo mundo virou
Fazer o que
Se o amor não tem sossego, se quem dorme já foi pego pelo sonho e acordou
Quem vai dizer
Que o seu nome ainda não fica no meu olho quando todo o resto já se afastou?

Fazer o quê?
Se quem leu antes da prova foi melhor do que quem não estudou
Fazer o que,
Se o perfume que é barato tem um cheiro bem melhor que o que você comprou
Fazer o que,
Se eu tentei mas não consigo te odiar como você me odiou
Quem vai dizer
Que o seu toque não foi doce no momento em que você me chutou?

Fazer o quê?
Se a gente paga até hoje pelo fruto podre que Adão devorou
Fazer o que,
Se um dia a gente ama, sempre ama, ou um dia amou
Fazer o que,
Se o seu ódio justifica o que você entendia mas não mais perdurou
Quem vai dizer,
Que você odeia mesmo ou apenas sente falta do que um dia gostou??????????

domingo, 21 de março de 2010

Last Shine




Show me all that you see
From all the glitter to the green tree
You´ve never said me that I´m gray
Of all the colors that you could say

When the sky fall far along
And all the tones be turned to white
For you, the day will seem too strong
For me it will be darker than the night

´Cause when the visible becomes blind
Everything will decrease in my mind
It´s not a question of making it fair
But neither music will can do repair

I won´t be able to see any face
Not even my own and very reflect
And in the middle of such a disgrace
You´ll be with all the things that I protect

So, please, now show me all that you´ve got
Before I turn into a black spot
If there´s a way you will have to find
But do it fast, ´cause I am colorblind.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sarau.



E é folclore que se perde
Que se forma, que se queima
Fantasia, pura, teima
Destes bailes mais vaidosa.

Ah, que pranto que se ergue
Que loucura, que façanha
Gotas muitas, dor tamanha
Das roseiras mais frondosa.

Se é só lenda cor-de-rosa
De grinalda mais formosa
Em apegos carinhosa
Tece verso, canta prosa.