domingo, 18 de julho de 2010

Nyasaye ogwedhi




Ouço sons sob o calor
Ouço vozes pelo Sol
Ouço gritos sobre a dor
Ouço o vento no arrebol.

Vejo gente pela terra
Vejo fome pelos passos
Vejo morte pela guerra
Vejo raiva pelos traços.

Sinto chamas nas areias
Sinto vida sobre as fontes
Sinto o sangue pelas veias
Sinto amor em suas frontes.

sábado, 3 de julho de 2010

Arte de dez anos.




Quando voltar os olhos à arte, é a arte do antes
Que desperta os olhos, que acorda o corpo
A arte que nunca se esquece, por mais que
Não seja como antes...
No mesmo pó de ontem, é arte que te volta ao dia
Uniforme num pacote arrebentado, e a arte do durante
Que carrega o peito, que desaba a alma
A arte que sempre aparece, que, prendida no passado
Nos carrega doravante...
É a mesma luz do tempo de dez anos, numa flauta apaixonante
Que ignora o tempo, que me abraça forte
A arte que sempre me aguarda, e carrega o violão
Arte tão distante...

domingo, 27 de junho de 2010

A Lua é a tua Imagem




A Lua te cobria quando aconteceu...
A tua face angelical em fogo contorcido
O teu sonho de menina com tua pele derreteu.
E no entanto, pouco importa, é verdade
Não parece, e além disso, quem palpita?
E que vida é a minha para comentar?
Eu enxergo com meus olhos quem te olha com maldade
E no entanto, eu não os compreendo.

Sim, é fato que um dia quem tu foste desapareceu
Que tua imagem, no retrato tão reconhecido
É lembrança de jornal ou pensamento em breu.
E ainda reafirmo, nada mais que vaidade
Pelo menos aos meus olhos tu ainda és bonita
Tão bonita como a velha noite de luar
Tão bonita como se ainda em flor da idade
Tua vida progredindo, tua alma florescendo.

Tu és fruto do momento em que a vida intercedeu
A fazer de tua imagem um luar enriquecido
Pois a Lua é a tua imagem, desde a noite em que nasceu
O teu rosto, resultado de tamanha claridade
Que, assim como tua alma se transforma e grita
Grita inspiração, e a força espetacular
De quem vive, e prossegue com vontade
Uma vida exemplar, cujas faces eu entendo.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Mortalha




Menina,o seu casaco preto
Num momento turvo, ofuscava o pequeno mundo que eu tinha nas mãos
Não havia sina, não havia medo
Não havia estrondo algum capaz de aliviar minha respiração
Sob as lentes os seus olhos se fechavam
E, por Deus, eu juro que não enxergava o menor sinal, nenhuma hesitação
Só havia o cheiro
Só havia o escuro, e no mais o belo sentimento de convicção...
Menina, o seu andar curvo
Suas mãos nos bolsos, seus cabelos longos, e o seu casaco na escuridão
Eu revivo a cena, eu enxergo o enredo
Eu ainda sinto um dos quatro Beatles sob minhas mãos...
Em seus olhos os meus olhos se focavam
E resposta alguma eu esperava, que não fosse o sinal da retribuição
De seu corpo inteiro
Só buscava a força que você gerava, de alguma forma como turbilhão...
Menina, seu casaco preto
Hoje em seu armário, pulsa em meus olhos com vermelhidão.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Impacto




A respiração aumenta, a turvidez toma o espaço
O seu coração lateja, seus dentes rangem pelo estardalhaço
A mente se perde e o sangue pulsa, causando espasmo
Não se pensa em nada, a mente entra em marasmo
Os olhos se abrem, os olhos se fecham,
O alvo se avista, os punhos se cerram
O instinto se toma, a razão se abandona
O corpo se ajusta o grito vem à tona
No momento em que o tempo pára e não se sente dor
Em que a raiva vara todo e qualquer tipo de amor.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A quarta lei de Newton.




O desenvolver da palavra é como melodia que se espalha
Como toque bruto do dedo sobre tecla ou corda
Como um sopro forte ou uma batida
O criar da rima sem um ponto de partida
Uma enchente de palavra que sobre a folha transborda
Um tremer de tímpanos em cortes de navalha.

A propagação do som é mágica de ar
Descritiva por si só, e individualmente,
Mas palpável a tal ponto de conversas permitir
Conversar sobre uma música, sobre o que faz sentir
Uma árvore sonora a qual brota da semente
Um baque simultâneo entre o peito e o lugar.

O fechar de olhos é um abraço de união
O que atrela o que se escuta ao que treme um peito inerte
Um subjetivo escuro pelo qual o ar se inala
Num momento ínfimo em que o coração se abala
E a alma se renova, pois de tudo se converte
Um assimilar seguro da grandeza de tensão.

domingo, 2 de maio de 2010

Quatro cordas



Quatro cordas à mão, a mente aberta
Para o rio que corre entre as pedras do sonho
Se faz frio lá fora, não há porque deixar minha cama
E se encontro o seu coração na rua escura
É porque talvez eu não tenha aprendido nada.
Quatro cordas sem perdão, à mão deserta
Pelos rios que corro sempre quando me envergonho
Se lhe escuto ao longe não percebo que você me chama
E se não ouvi-la ainda me cause paúra
É que à minha vida você ainda está fadada.
Quatro cordas pela solidão, porque na certa
É o meu destino, mesmo se me contraponho
Se pareço triste, é porque você me acompanha
E se a culpa é sua, logo minha mente jura
Que por quatro cordas você será sempre amada.