sexta-feira, 17 de abril de 2009

Reflexo de janela


Eu sou a sombra que se posta à esquerda,
Não me canso dos gestos, não julgo o que é certo
Não me busco em mim, renuncio os momentos ...
Sou o grito que se emposta à frente, gelando a boca,
Reverso a passos, sou o tempo de uma mente louca
Esse mesmo, que se prende quando a brisa sopra.
Não peço carona, não meço meus passos
À direita eu me chamo luz, e de vento me refrato
Cobrindo fossas tênues entre luz e espaço.
Articulo finas danças sobre gelo grosso,
Paralelo ao momento em que sinto gosto do incerto, outra vez
Sou poeira no momento em que percebo...
Baixo os olhos, a vergonha já me impede de encarar
Esses olhos tão vazios que se projetam na parede externa...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Um copo de sorriso...


Respiro os olhos dos que estão em volta
E me sorvo de sorrisos, eu inspiro suas setas
Enxergo o mundo por meus passos, afasto a névoa envolta
Dura pouco, mas há sempre fundos que distinguem minhas retas
Eles falam de verdades, mas de forma tanto bruta
Que até a luz do dia me parece muito incerta.
São sorrisos à minha volta, mas já a mente executa
O que há dentro de tão seca e dolorosa fruta:
De imagens tenebrosas aos sons mais estranhos
Dura apenas um segundo, e os estragos são tamanhos...
Mas tão logo como chegam, eu inspiro uma guinada
De sorrisos, ainda mesmo que estranhos
E me afasto dos momentos que enuviam essa relva tão dourada.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Essência


As incertezas são internas
E as luzes são claras.
A essência é a mesma, seja a forma qual for
Ela é incerta, mas é luminosa
Uma melodia que se espalha
Com o dom de deslizar suave e de tal maneira
Que não haveria certeza mais perfeita.
A luz da essência é sempre acompanhada pelo vento
Um momento de divindade que invade os corpos
Um instante vagaroso e singelo
Quando os olhos se fecham
E, seja de vida, aroma, som, ou gosto
A forma essencial é tomada.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008


Busco no brilho o calmo dos ventos,

Tranqüilo bocejo, sentidos, momentos

E fujo das sombras, caídas em esquecimento.

Desejos se formam no inconsciente,

Deseja quem pode, não há quem lamente

O filme perdido, as calças molhadas,

Celebram-se as festas, preenchem-se arestas

Cobertas de beijos da livre modelo, da mina de ouro

Das danças na chuva, do belo tesouro.

Peço histórias e busco respostas,

Mas o que basta, que exclui qualquer mostra

É minha pepita, seu cheiro que encosta

Nos olhos que abrem,

E que não fecham mais

sábado, 8 de novembro de 2008

Felicidade vale ouro


Não se cria, tão pouco que almeja,
Se desperta e cresce, dispensando palavras
Alcançando as estrelas e, no êxtase da parábola,
Reluzindo como ouro!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Se for para ir, que seja junto a ti!



Quando há vontade, há perspectiva
E o mundo não esquece de você,
Há vontade, muita, há vontade ativa
E não há fábula qualquer que mude o que você pode ver.
No fim dá estrada há angústia, há dor e sofrimento
Se parece como aqui, mas é só por um momento.
São envoltas belas nuvens, como bolhas de sabão...
Qual mais uma luz branca no fim da estrada, em imensidão,
Chovem lágrimas e agulhas, sem nenhuma direção...
O desejo é prosseguir, e se for para partir, que seja junto a ti...
Se insistem tais agulhas com seu gume em pungir,
Não garanto uma blindagem, mas furado, eu prometo:
Ainda assim, irei sorrir

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Eu divago sempre, mas o mundo é real.



O divagar é a viagem da alma... Quisera ele que a frase tivesse saído de qualquer livro ou página amassada de jornal. Era um peso talvez grande demais, ser forçado a conviver com seus pensamentos e suas divagações, ele não tinha controle algum sobre aqueles, ele não via surpresa nessas. E, por mais infundado que pareça, já previa o sentimento e o palpitar que cada lembrança lhe seria capaz de transmitir num dado momento. O fato é que não conseguia parar de pensar; ele fazia o esforço, afinava as orelhas ao som do vento, às buzinas dos carros, à sua própria voz... Nada, somente um mar de divagações. Não demorava muito, logo após a encruzilhada de imagens e cheiros, ele se lembrava da pontada exata que viria a sentir; e tudo durava um piscar de olhos... Talvez cronômetro algum fosse capaz de medir. Seus fluidos, entretanto, captavam todo o descarregar, fosse de adrenalina ou lágrimas, e o registravam no infinito cristal da eternidade. Não era agradável, não era simples, mas havia uma vantagem: era familiar. Como se houvesse um horário programado, era tranqüilamente perceptível.
E lá mesmo, enquanto os carros continuavam a se movimentar, as pessoas ainda teciam ofensas às escondidas, ou declaravam seu amor abertamente. Parcelas da alma perdidas num mundo real, "indivagável". Às pessoas que não se contagiavam, restava desejar semelhança, ou sentir pena... Era tudo tão familiar... E eis aí o problema de o mundo ser real. À menor mudança de clima, a divagação não salva ninguém, e ninguém consegue prever seus atos por um motivo: no momento da realidade, nada é familiar.
Não havia se dado conta disso, tinha um vício no "conhecido", era impossível lidar com a realidade... Em seu íntimo, cascatas de torções, parcelas de espírito se contorcendo, úmidas, em uma maratona para transmitir a um momento concreto a utopia intocável... o resultado era o medo: era não saber se portar, era o choro que partia seu diafragma e gelava seus ossos. Não entendia o movimento dos planetas, que tão rapidamente transladavam e se voltavam para seus olhos, não encontrava elasticidade própria ao encarar uma bela dança, mas era o cheiro, o cheiro de futuro incerto, o que mais o incomodava... Não era familiarizado...