sábado, 15 de agosto de 2009

Conforto


Intenso calor que irradia
E do corpo quente flui ao frio
Não alegra nos momentos de tristeza
Muito menos configura a maldade na beleza
Mas é algo que, no fim do dia
Adormece um coração vazio.
Sentimento amórfico, diria
Ou quem sabe uma definição vil
Que se porta como meio de transporte
Conseguindo dar calor à morte
Pois o medo de dormir sacia
Adiando o próximo nascer sombrio.
Como um corpo inerte em desvalia
Ele é o dono do viver doentio
Enganando-se de forma convincente
Refletindo a sombra do contente
Em um ato de dramaturgia
Acendendo a ponta do pavio.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Reflexo de janela


Eu sou a sombra que se posta à esquerda,
Não me canso dos gestos, não julgo o que é certo
Não me busco em mim, renuncio os momentos ...
Sou o grito que se emposta à frente, gelando a boca,
Reverso a passos, sou o tempo de uma mente louca
Esse mesmo, que se prende quando a brisa sopra.
Não peço carona, não meço meus passos
À direita eu me chamo luz, e de vento me refrato
Cobrindo fossas tênues entre luz e espaço.
Articulo finas danças sobre gelo grosso,
Paralelo ao momento em que sinto gosto do incerto, outra vez
Sou poeira no momento em que percebo...
Baixo os olhos, a vergonha já me impede de encarar
Esses olhos tão vazios que se projetam na parede externa...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Um copo de sorriso...


Respiro os olhos dos que estão em volta
E me sorvo de sorrisos, eu inspiro suas setas
Enxergo o mundo por meus passos, afasto a névoa envolta
Dura pouco, mas há sempre fundos que distinguem minhas retas
Eles falam de verdades, mas de forma tanto bruta
Que até a luz do dia me parece muito incerta.
São sorrisos à minha volta, mas já a mente executa
O que há dentro de tão seca e dolorosa fruta:
De imagens tenebrosas aos sons mais estranhos
Dura apenas um segundo, e os estragos são tamanhos...
Mas tão logo como chegam, eu inspiro uma guinada
De sorrisos, ainda mesmo que estranhos
E me afasto dos momentos que enuviam essa relva tão dourada.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Essência


As incertezas são internas
E as luzes são claras.
A essência é a mesma, seja a forma qual for
Ela é incerta, mas é luminosa
Uma melodia que se espalha
Com o dom de deslizar suave e de tal maneira
Que não haveria certeza mais perfeita.
A luz da essência é sempre acompanhada pelo vento
Um momento de divindade que invade os corpos
Um instante vagaroso e singelo
Quando os olhos se fecham
E, seja de vida, aroma, som, ou gosto
A forma essencial é tomada.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008


Busco no brilho o calmo dos ventos,

Tranqüilo bocejo, sentidos, momentos

E fujo das sombras, caídas em esquecimento.

Desejos se formam no inconsciente,

Deseja quem pode, não há quem lamente

O filme perdido, as calças molhadas,

Celebram-se as festas, preenchem-se arestas

Cobertas de beijos da livre modelo, da mina de ouro

Das danças na chuva, do belo tesouro.

Peço histórias e busco respostas,

Mas o que basta, que exclui qualquer mostra

É minha pepita, seu cheiro que encosta

Nos olhos que abrem,

E que não fecham mais

sábado, 8 de novembro de 2008

Felicidade vale ouro


Não se cria, tão pouco que almeja,
Se desperta e cresce, dispensando palavras
Alcançando as estrelas e, no êxtase da parábola,
Reluzindo como ouro!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Se for para ir, que seja junto a ti!



Quando há vontade, há perspectiva
E o mundo não esquece de você,
Há vontade, muita, há vontade ativa
E não há fábula qualquer que mude o que você pode ver.
No fim dá estrada há angústia, há dor e sofrimento
Se parece como aqui, mas é só por um momento.
São envoltas belas nuvens, como bolhas de sabão...
Qual mais uma luz branca no fim da estrada, em imensidão,
Chovem lágrimas e agulhas, sem nenhuma direção...
O desejo é prosseguir, e se for para partir, que seja junto a ti...
Se insistem tais agulhas com seu gume em pungir,
Não garanto uma blindagem, mas furado, eu prometo:
Ainda assim, irei sorrir